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V-Coptr Falcon: Drone inovador ou jogada de marketing?

No dia 16 de dezembro uma empresa meio desconhecida – e porque não dizer desacreditada – chamada Zero Zero Robotics publicou esse vídeo abaixo mostrando uns números correndo, diversos esboços de drones conhecidos e lá no final um vulto de um novo drone.

E a julgar pelas parcas visualizações contabilizadas até o dia 23 de dezembro que foi quando eu escrevi este artigo, ficou claro que eles aprenderam que teasers abstratos tendem a funcionar melhor com marcas consolidadas, e que empresas que prometem e não entregam tendem a ter problemas de credibilidade.

Eu vou explicar isso melhor mais lá pra frente, mas o importante é que a repercussão do vídeo oficial mostrando o novo drone foi suficiente pra dar um novo crédito à empresa, e é sobre isso tudo que a gente vai falar nesse artigo.

Se você prefere assistir ao invés de ler, é só dar um play aí em cima e aproveitar 🙂

E quando eu perguntei pra vocês lá no artigo sobre o Autel EVO 2 se vocês achavam q o ano tinha acabado com o lançamento do Hubsan ZINO 2 mal eu poderia imaginar que o lançamento mais curioso do ano ainda estava por vir.

Avatar

Muitos aí devem ter assistido ao filme Avatar do diretor James Cameron onde mais uma vez o ser humano foi retratado como realmente é: uma raça com uma vocação inerente a acabar destruindo tudo que encontra frente.

É aquela velha história
O cara separa o lixo mas joga papel de bala pela janela do carro
O cara é vegano pra salvar os animais mas usa glitter no carnaval

Caças AT-99 do filme Avatar

E nesse filme o ser humano aparece tentando dominar Pandora, um satélite do planeta Polifemo com grandes quantidades de minerais preciosos e habitado pelos exóticos Na’vi, seres altos, azuis e exotéricos que lutam com todas as forças para tentar nos impedir de ferrar com tudo. E pra isso eles precisam lutar sobretudo contra aeronaves de guerra, algumas em forma de quadricópteros e outras, muito mais interessantes e carismáticas, diga-se de passagem, em forma de bicópteros.

E talvez esta tenha sido a inspiração da Zero Zero Robotics ao desenvolver seu novo drone, uma vez que bastaria resolver os problemas de instabilidade e peso para poder usufruir dos benefícios de um drone com menos motores.

A Zero Zero Robotics

E quando eu falei que a Zero Zero Robotics era uma empresa relativamente desconhecida eu não estava exagerando, basta ver o número de inscritos no Youtube, menos de 6 mil inscritos. Mas o fato de ser relativamente desconhecida não significa que seja uma empresa nova.

Na real ela está no mercado desde 2016 quando apresentou o Hover Camera Passport, anunciado como a primeira câmera voadora realmente autônoma que qualquer um seria capaz de usar. E de fato, vejam que estamos falando de 2016 e ele já contava com câmera 4K e sensor de posicionamento ótico, novidades que a DJI tinha lançado apenas um ano antes com o lançamento da linha Phantom 3. E como se não bastasse ele já contava com processamento de imagens e com uma funcionalidade, ao que parece, similar ao Active Tracking que só viria a ser apresentado com a chegada do Phantom 4 em Março de 2016.

Hover Passport

Então dá pra dizer que já nesta época a Zero Zero era uma empresa bastante inovadora com direito a review no canal do Adam Savage, comparativo no IPhonedo, e a vender seu drone em lojas da Apple. No mínimo suficiente para chamar atenção de alguns chineses que aproveitaram pra ver como é que ficava uma filmagem aérea deles dançando Macarena.

Mas se o drone era tão bom assim, porque ninguém se lembra dele? Bom, acredito que foi porque naquela época todo mundo estava hipnotizado pelo Phantom 3 e pela chegada do Phantom 4, e quem tinha 599 dolares talvez preferisse comprar um Phantom 2 Vision Plus usado.
Cabe lembrar que naquela época o conceito de selfie drone era mais difícil de engolir que hoje em dia e as pessoas estavam mais interessadas em coisas como qualidade de imagem, alcance e autonomia do que em portabilidade, aspecto que só passou a ser mais valorizado no ano seguinte com a chegada do DJI Spark.

Mas Rafael, teu artigo tá com uma ponta solta aí. Lá no início tu falou também que a Zero Zero Robotics tava meio desacreditada, tu não vai explicar isso?

Calma pessoal, vou sim, eu só quero antes falar sobre o V-Coptr Falcon, que é o propósito desse artigo, e já explico isso pra vocês porque inclusive é uma coisa importante sobretudo pra quem tá pensando em comprar ele.

Então vamos falar sobre esse que é o terceiro drone anunciado pela Zero Zero, o V-Coptr Falcon, que chega com um conceito interessante e a missão de ser um novo drone para uma nova década, conforme o título vídeo.

Mas será que ele é tão bom assim? Bora ver.

Número de hélices importa

Desde seu surgimento os drones já foram apresentados em diversas formas quanto ao número de motores, e são comuns configurações com 6, 8, ou até mais motores em equipamentos de uso específico que necessitam levantar cargas muito pesadas como câmeras profissionais, mas via de regra a configuração preferida para os chamados drones convencionais foi a do tradicional quadricóptero, ou seja, 4 motores.

Firefly Alta X com seus 8 motores: força bruta

Mas por que? Porque durante muito tempo as empresas testaram outras configurações a cada novo lançamento e concluíram que esta era a melhor relação custo x benefício entre estabilidade, força e consumo. 8 motores era mais forte e mais estável mas consumia demais. 3 motores era mais econômico mas menos estável e com menos força. 2 motores mais fraco e instável ainda, e por aí vai.

Só que os paradigmas estão aí justamente para cedo ou tarde serem quebrados e talvez estejamos presenciando justamente o surgimento da era dos bicópteros.

Mas se engana quem acha que esse tipo de drone é uma novidade. Muitos hobbistas já brincam com esse tipo de configuração ha tempos e até mesmo a Walkera já havia lançado em 2013 um produto chamado descaradamente de Pandora Warrior baseado no AT-99 do filme Avatar.

A inovação, no entanto fica por conta da iniciativa em utilizar essa tecnologia no segmento de drones para filmagem, o que com certeza abrirá um novo segmento contanto que desta vez a Zero Zero entregue o que promete.

Características do V-Coptr Falcon

O Zero Zero V-Coptr Falcon vem com uma câmera CMOS com sensor de 1/2.3″ de 12MP capaz de capturar vídeos em 4K a 30fps, 2.7K a 60 e 1080p a 120, de modo que e possível escolher entre vídeos de alta resolução ou belas câmeras lentas em full hd. Um gimbal de 3 eixos com amplitude de 80 graus para o giro e 90 graus para inclinação se encarrega de estabilizar as filmagens conforme já é visto em muitos outros drones convencionais, e a exemplo de alguns drones como Mavic Air e Mavic 2 ele já vem com memória interna de 8Gb, pequena mas suficiente para aquelas vezes em que a gente sai pra voar e esquece o cartão SD em casa. Além disso ele suporta cartões SD de até 256Gb.

Zero Zero V Copter Falcon

Ele é capaz de salvar as fotos em formatos JPG e DNG, suficiente pra ser levado a sério, mas não foi divulgada a taxa de bits de gravação de vídeo que como vocês sabem teria que ser de cerca de 100Mbps para ficar no mesmo nívels de seus principais concorrentes.

Câmera com gimbal de 3 eixos do V-Coptr

Já sobre o drone em sí podemos dizer que se trata de um bicóptero dobrável, com braços que se estendem para os lados e para cima e em cujas pontas fica um eixo articulado capaz de mover os motores e isso é o que permite que ele se estabilize. Então vejam que não é exatamente ciência de foguete, tudo depende da empresa ter encontrado uma solução boa o suficiente para garantir a qualidade das imagens geradas. Além disso ele vem com sensor de fluxo ótico para manter a posição sem depender exclusivamente do GPS e sensores anti-colisão.

Outro aspecto interessante diz respeito ao tamanho já que quando fechado ele mede apenas 22 centímetros de comprimento, tamanho aproximado de um Mavic 2.

Sobre o alcance do V-Coptr, este é outro ponto no qual ele teoricamente se iguala aos outros drones da categoria dele já que segundo a página do produto ele pode voar a uma distância de até 7Km, muito embora ele funcione apenas na frequência de 2.4GHz, o que pode limitar a perfórmance dele frente a outros modelos de drone que funcionam tanto em 2.4 quanto em 5.8GHz.

Mas talvez o segundo aspecto mais interessante do V-Coptr Falcon depois da configuração de motores é o tempo de vôo anunciado de até 50 minutos, mesmo utilizando uma bateria 4S pouco maior que a utilizada pelo Mavic 2. Isso é obviamente resultado dos 2 motores a menos e também do peso menor. São 730g contra 907 do Mavic 2 Pro.

E tem também um esquema e hélice patenteada que geraria mais sustentação, mas não sei qual o peso real desse aspecto na conta final, mas enfim.

Inovação ou Hype?

Apesar da Zero Zero Robotics já ter colocado ele em pre-order no seu site por um preço de U$699, quando eu tentei acessar só havia uma página em branco. Não sei se era momentâneo ou não mas isso me lembra da tal ponta solta que tinha ficado e que eu vou falar agora então.

Lembram quando eu falei do primeiro lançamento deles, o Hover Camera Passport, e depois que este vídeo era sobre o terceiro “drone anunciado” por eles? Pois é. Nesse meio tempo, mais precisamente em 14 de novembro de 2018 a empresa publicou outro teaser no canal do youtube dela, desta vez de um drone chamado Hover 2 que seria uma evolução do primeiro modelo, e foi aí que eles se perderam pois depois dele foram outros 3 vídeos mostrando as capacidades deste modelo, um deles inclusive mostrando um sistema de active tracking bem sofisticado, que obviamente geraram bastante espectativa.

Mas eis que após um ano sem dar novas satisfações a Zero Zero resolveu postar um novo teaser de um novo drone, desta vez do V-Coptr Falcon, sem sequer explicar o que aconteceu com o Hover 2. E aí o resultado pode ser observado no número de views e também no teor dos poucos comentários, perguntando como eles podiam estar apresentando outro drone se ainda não tinham entregue o anterior ou então criticando o excesso de propaganda e os poucos resultados.

Então pessoal, pode ser que este seja de fato um excelente lançamento mas também pode ser que seja só mais uma jogada de marketing como já vimos tantas outras vezes. Não adianta nada um drone ser inovador e ter só 2 motores se não entregar um resultado de imagem ou seja do sensor que estiver a bordo tão bem quanto o dos drones concorrentes de 4 motores. É claro que sempres buscamos eficiência então se ficar comprovado que dá pra fazer com 2 motores o que antes se fazia com 4 então talvez a gente veja um movimento forte nesta direção daqui pra frente, senão seguiremos com os 4 motores pelo tempo que for preciso. A resposta deve vir em breve, no máximo em Fevereiro de 2020 quando é previsto o início das entregas.

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